Ou “Hora de voltar”
Para ler ouvindo Winding Road, de Bonnie Sommerville, parte da trilha sonora de Garden State, que me inspirou a escrever essas coisas sem sentido…
Aja estranhamente sempre, no intuito de ver a vida através dos olhos de um lunático. Faça coisas que sua imaginação diz serem únicas, como se fosse a primeira vez que um ser humano as realiza sobre a face da terra. Saboreie o bizarro na tentativa de sentir-se novo, renovado, único e especial.
Não se mova.
Fique inerte por alguns instantes como se fosse desmaiar, só pra dar aquele suspiro cansado ao final da trama que você mesmo criou enquanto a fantasia deprimente de desfalecer passava pela sua cabeça.
Não entenda o que os outros querem dizer pra você com um simples olhar. Desfrute sempre de um bom diálogo, mesmo que monossilábico e cheio de momentos ininterruptos de um silêncio agoniante, pois além do olhar existe a palavra, assim como existe a pergunta acima de qualquer resposta. É o que importa: a existência dos símbolos que criam os laços e não os laços por si sós.
Sinta-se, pelo menos uma vez na vida, em um clipe de música indiana onde todos dançam e fazem sexo loucamente, enquanto você observa tudo com olhos atentos e calmos, em câmera lenta. Feche-os nos exatos momentos em que sentir um prazer orgásmico correr pelo seu corpo, como uma chama de pavio que se alastra dos dedos dos pés até o fim da nuca. Não se mova. Deixe os corpos se movimentarem por você. Só nesse pequeno instante perdido no tempo. Onde a música toca lentamente e os dançarinos e dançarinas do sexo se embriagam numa rapidez lancinante, que faria até o mais cético dos católicos fervorosos trepidar de prazer. E você ali, parado. Calmo, convicto, orgásmico… Estático a criar fantasias pagãs.
Conheça-se e reinterprete-se através dos olhos dos outros, daqueles que te amam ou possam vir a te amar um dia. Ou uma vida inteira… Quem sabe?
São aquelas estranhas sensações de encontro que não necessariamente precisam terminar em despedida. Não tão cedo. Não sem choro. Não sem perda. Não, nunca foi fácil pra ninguém. Mas quem disse ou escreveu que deveria ser assim ou assado? Afinal, existem sensações que mesmo estranhas ou tristes não deveriam deixar de existir, como a saudade.
Tudo isso representa aquele encontrar-se de que tanto falo. Em vários personagens e situações. É aquele fantasiar das coisas, aquela brincadeira de travestí-las de uma mística particular e única, por isso tão especial. É o prazer de sentir-se completo e concreto nos outros, naqueles que te amam e vão te amar pela vida inteira, mesmo que só em fantasia…
Afinal, a chuva continua caindo. A estrada continua nos chamando. O oceano continua com a mesma imensidão. O café com o mesmo gosto. O travesseiro com o mesmo cheiro. A mesma cama desarrumada…
O que muda com o tempo é a maneira como sentimos a vida e o mundo. Muda a cor do pensamento.
E porque caminhamos por tanto tempo? E porque procuramos tanto e tanta coisa? E porque nos fantasiamos de sonhos e realidades?
Pra achar o caminho de casa.
Acredito eu. Acredita você. Acreditamos nós.












