Arquivos para a Categoria ‘Parte da Arte’

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A casa e a estrada

Novembro 10, 2009

Casa e Estrada

Ou “Hora de voltar”

Para ler ouvindo Winding Road, de Bonnie Sommerville, parte da trilha sonora de Garden State, que me inspirou a escrever essas coisas sem sentido…

Aja estranhamente sempre, no intuito de ver a vida através dos olhos de um lunático. Faça coisas que sua imaginação diz serem únicas, como se fosse a primeira vez que um ser humano as realiza sobre a face da terra. Saboreie o bizarro na tentativa de sentir-se novo, renovado, único e especial.

Não se mova.

Fique inerte por alguns instantes como se fosse desmaiar, só pra dar aquele suspiro cansado ao final da trama que você mesmo criou enquanto a fantasia deprimente de desfalecer passava pela sua cabeça.

Não entenda o que os outros querem dizer pra você com um simples olhar. Desfrute sempre de um bom diálogo, mesmo que monossilábico e cheio de momentos ininterruptos de um silêncio agoniante, pois além do olhar existe a palavra, assim como existe a pergunta acima de qualquer resposta. É o que importa: a existência dos símbolos que criam os laços e não os laços por si sós.

Sinta-se, pelo menos uma vez na vida, em um clipe de música indiana onde todos dançam e fazem sexo loucamente, enquanto você observa tudo com olhos atentos e calmos, em câmera lenta. Feche-os nos exatos momentos em que sentir um prazer orgásmico correr pelo seu corpo, como uma chama de pavio que se alastra dos dedos dos pés até o fim da nuca. Não se mova. Deixe os corpos se movimentarem por você. Só nesse pequeno instante perdido no tempo. Onde a música toca lentamente e os dançarinos e dançarinas do sexo se embriagam numa rapidez lancinante, que faria até o mais cético dos católicos fervorosos trepidar de prazer. E você ali, parado. Calmo, convicto, orgásmico… Estático a criar fantasias pagãs.

Conheça-se e reinterprete-se através dos olhos dos outros, daqueles que te amam ou possam vir a te amar um dia. Ou uma vida inteira… Quem sabe?

São aquelas estranhas sensações de encontro que não necessariamente precisam terminar em despedida. Não tão cedo. Não sem choro. Não sem perda. Não, nunca foi fácil pra ninguém. Mas quem disse ou escreveu que deveria ser assim ou assado? Afinal, existem sensações que mesmo estranhas ou tristes não deveriam deixar de existir, como a saudade.

Tudo isso representa aquele encontrar-se de que tanto falo. Em vários personagens e situações. É aquele fantasiar das coisas, aquela brincadeira de travestí-las de uma mística particular e única, por isso tão especial. É o prazer de sentir-se completo e concreto nos outros, naqueles que te amam e vão te amar pela vida inteira, mesmo que só em fantasia…

Afinal, a chuva continua caindo. A estrada continua nos chamando. O oceano continua com a mesma imensidão. O café com o mesmo gosto. O travesseiro com o mesmo cheiro. A mesma cama desarrumada…

O que muda com o tempo é a maneira como sentimos a vida e o mundo. Muda a cor do pensamento.

E porque caminhamos por tanto tempo? E porque procuramos tanto e tanta coisa? E porque nos fantasiamos de sonhos e realidades?

Pra achar o caminho de casa.

Acredito eu. Acredita você. Acreditamos nós.

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Rascunhos de um amor etílico…

Outubro 16, 2009

Jeff Buckley

ou “Quem tem medo do misterioso garoto branco?”

Para ler ouvindo Morning Theft, The sky is a landfill, Last Goodbye, Grace, So Real, Yard of blonde girls, Opened Once, Everybody here wants you, New Year’s Prayer, Witche’s Rave, Satisfied Mind, Lilac Wine, Hallelujah ou Lover, you should’ve come over. Ou todas de uma vez só…

My main musical influences? Love, anger, depression, joy and dreams……and zeppelin!

Um corpo sobre a água. Céu azul, brisa leve. Alguns pássaros planam. Temperatura estável. Um balão de ar, um zepelim direcionado, cruza os céus irradiando luzes mágicas, multicoloridas, ensurdecedoras. Cheio de amor, traz o último suspiro.

Desestabiliza tudo. Os pássaros não planam mais. O frio é mórbido. O céu enegrece, a brisa vira tufão. O corpo segue a correnteza calmamente. Agora é ele que irradia luz pela água turva do rio. Multicoloridas, mágicas, ensurdecedoras, loucas, agudas, arrepiantes…

Essa luz ainda pode ser vista até hoje, ouvida, até. É doce, terna e ao mesmo tempo agonizante. Forte por fora, instável por dentro. É o som que aqueles demônios que vivem dentro da gente fazem quando vestem carcaças de anjos: belos à primeira vista, corrosivos à segunda, mortais à terceira. É mais ou menos como aqueles amores fulgazes, senhores de tantas rugas: arrebatadores num primeiro momento, arrasadores num segundo, deprimentes num terceiro…

Mas ainda assim, quem não quer ter “anjos”, mesmo que disfarçados, e amores sórdidos, mesmo que acabem?!

É esse frisson dos desejos contraditórios que sinto hoje em dia quando ouço Jeff Buckley, cantor norte-americano que, mesmo sem ter nem saber (pois se encontrava morto quando o conheci), operou mudanças significativas em minha vida. Conheço-o desde os 15 anos de idade, das noites de Alto-Falante na TV Cultura. Desde então ficamos amigos. Assim, meio que sem querer querendo.

Penso que mudou muitas coisas na minha vida, primeiro de tudo, porque eu era o adolescente chato que pedia pras pessoas baixarem (não, eu não tinha internet) músicas estranhas que eu conhecia não-sei-de-onde. Tipo The Clash, Ella Fitzgerald e Jeff Buckley, que são meio desconhecidinhos numa cidade de 8 mil habitantes do interior paulista… Mas, enfim, o fato é que as músicas se tornam muitas vezes nossas vestimentas. E às vezes é melhor não extravazar demais na escolha das peças pra não causar a impressão errada. Ainda mais na adolescência, onde qualquer deslize é motivo de chacota. É como na alegoria dos demônios com carcaça de anjo… Você se torna o que as pessoas querem só pra ser melhor aceito numa rodinha de amigos ou num grupinho de pessoas especiais.

Mas o demônio ainda vive dentro de você. Os desejos contraditórios também.

Após quase um ano dessa amizade com Jeff, comecei a sair pras noitadas esfumaçadas da boate da minha pequena cidade. Parei de ouví-lo. Queria que as luzes fossem outras. Multicoloridas e sonoras de outra forma. Queria me tornar um anjinho sem asas, como tantos outros que conheci e que hoje são meus melhores amigos. Nos entendemos através dessas luzes esfumaçadas, enfim. E foi ótimo ter vivenciado todas essas pequenas loucuras de um mundo particular.

Mas eu sempre sentia que faltavam certas coisas, que antes existiam e que, até esse ponto da história, já não existiam mais. Sentia falta da morbidez dos momentos. Afinal, de depressivo-sozinho passei a playboy-rodeado-de-gente, num estalar de dedos. Queria de volta determinadas sensibilidades, que só conseguia ter em momentos de boa solidão, que se tornaram um tanto quanto raros.

Eu e Jeff só nos tornamos amigos novamente depois que entrei na universidade. Querendo ou não os espaços tem esse poder de mudar nossos ares. A fugacidade dos amores e os platonismos deram espaço para diversas luzes, inclusive as de Jeff, que sempre estiveram em minha vida, de uma forma ou de outra.

Foram as batidas itinerantes de “Grace“, a morbidez mágica de “So Real“, os arrepios na nuca de “Last Goodbye“, as esperanças amorosas gastas de “Lover, you should’ve come over“, a suavidade irrespirável de “Hallelujah“, as perdições noturnas de “Lilac Wine” e as reconfortantes verdades de “Satisfied Mind” que construíram meus momentos mais íntimos durante muito tempo.

Hoje são, em mesmo gênero, número e grau, os sonhos delirantes de “The sky is a landfill“, a baladinha dançante de “Witche’s Rave“, a confiança inabalável de “Yard of blonde girls“, a sensualidade deprimente de “Everybody here wants you“, as dores e delícias de “New Year’s Prayer“, o sopro descompassado de “Opened Once” e os sorrisos esperançosos desprendidos pela rua de “Morning Theft” que iluminam meu caminho para uma mente cada vez mais satisfeita.

Não são somente as músicas que me trazem à tona aquele frisson dos desejos contraditórios que tão subjetivamente tentei explicar inicialmente. É o sorriso sôfrego e o olhar indeciso, as mãos suaves sobre o violão e os olhos cerrados, a falta de palavras, o excesso de gestos estranhos e a boca trêmula que me fazem gostar da figura de Jeff Buckley. Foram e são aqueles gritos agudos e afinados que criaram esses laços entre minha vida e as músicas dele.

Jeff é meu suspiro prolongado… Aquele, do pé do ouvido. É um de meus delírios.  É um dos poucos demônios que preferiu, por livre e espontâneo arbítrio, extirpar a carapaça de anjo e mostrar as garras malévolas e suaves.

É, certamente, a trilha sonora do meu último adeus.

Não é a primeira vez que escrevo sobre artistas que curto, mas certamente é a mais tocante. Jeff foi meu primeiro delírio musicado, como disse anteriormente. E longe de mim dar o último adeus tão cedo como ele. Quero ainda curtir muitas das minhas primeiras paixões, como ele mesmo foi um dia. Em todos os sentidos…

Pra enfatizar e saber mais:

Site Oficial
Documentário (Amazing Grace: Jeff Buckley, 2004, Once and Future Productions)
Site Oficial do Documentário

Trailer de Amazing Grace

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23 Today

Setembro 8, 2009

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Para ler ouvindo Aimee Mann, Mary J. Blige, Madeleine Peyroux e Paul McCartney. Ou qualquer outra coisa bacana…

A lua está cheia, o céu de baunilha estrelado. A gata saiu pra dar um passeio e a fumaça do cigarro traça uma linha conjunta com a água que cai da torneira. As garrafas estão vazias, os pratos sujos e a consciência limpa.

Hoje faço festas.

Fiz festas ontem. E anteontem também. Aliás, faço festas sempre. Físicas, espirituais, surreais, insurretas. Algumas calmas, outras, a maioria confessa, descontroladas.

Mas hoje a festa é diferente. São 23 anos pra pensar em tudo: no que me aconteceu de bom, de ruim e de indiferente. Em tudo que está pra acontecer. Em todas as coisas que estão guardadas nas mãos de Deus. Em tudo o que deixou de acontecer… 

Hoje é dia de pensar no porvir das coisas do mundo. Do meu mundo.

E foi tudo tão rápido! Mais do que eu pensava… Um turbilhão descontrolado de vida seguiu derrubando velhos muros, pra formar e construir tudo que sou hoje.

Foi minha família. Foram meus pais e meus amigos. Foi aquela escola que eu odiava, aquela universidade que eu adorava, aquelas pessoas com as quais eu saía, aquelas com as quais eu dialogava. Foram os estudos, as bebedeiras, as militâncias, as conversas. Aquelas, de botas batidas…

Foram os problemas e as soluções. Foram os infernos pessoais e as pazes com o mundo. Foram as garrafas de vinho e os maços de cigarro. Foram todos os filmes que iluminaram meus dias. Foram todas aquelas manhãs de domingo. Foram todas aquelas tardes gastas de rir e trabalhar. Foram todas aquelas noites de conflito e reflexão. Foram todas as músicas que compuseram a trilha sonora dos meus momentos mais íntimos. E dos mais loucos também…

Sim, foram as loucuras! De todos os meus amores. De todos os meus conhecidos-desconhecidos. De todos os meus afetos e desafetos. De todos os amantes do círculo polar. De todos os degradados e malucos-beleza. De todos os solidários e solitários.  De todos os meus sinos e desatinos. De todos os sorrisos que desprendi da alma…

Foram, enfim, os carinhos. Os abraços. Os amores. As cores. Os açúcares. As confianças e os confidentes. Os sonhos e as utopias…

Foram todos esses que me construíram, me constroem e fazem parte de mim. Do meu corpo, da minha alma, da minha mente, do meu coração.  E é a todas essas pessoas, coisas e pensamentos que dedico cada sorriso e cada lágrima dos dias que passam e que estão por vir.

Hoje já é 23. Faltam alguns dias para o fim do mês.

E ainda preciso de alguém que me salve. E ainda preciso me salvar. E salvar alguém. Mas não vou pensar nisso por agora.  

Que venha o sol ou venha a chuva.

Continuo aqui, firme e convicto, fazendo festas.

Pois nos dias de hoje sou todo amor.

Sou todo amores.

Thiago Padovan, o Terra Roxa, chega aos 23 anos e espera viver outros 23 para reler tudo o que já escreveu nessa vida. É jornalista, amante e sonhador nas horas vagas. Diz que um dia vai chegar às estrelas, mas por enquanto não passa da cabeceira da cama, pois prefere se deliciar mais um pouco com os prazeres e felicidades da vida terrena…

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A viagem de Julieta

Julho 1, 2009

Julieta dos espíritos

Da série “Recordar é viver!”

Não esperava muito de uma noite enfadonha de terça-feira. Resolvi passar na locadora para ver as novidades, mas, de sobressalto, acabei locando um filme bem antigo.

Digamos que tinha uma capa pouco convidativa. Claro, pouco convidativa aos olhos da explosão colorida de efeitos sobrenaturais que a atual cinegrafia tenta passar aos espectadores através das capas dos filmes. Da mesmo que aqueles roteiros dos quais escorrem ladrões, mocinhos, beldades e tantos outros atores de fama internacional, que acabam tomando a cena de tal forma que a história acaba se perdendo, tendo pouca importância.

O fato é que não esperava assistir a um filme que trouxesse uma atmosfera tão carregada de cores, sentidos, emotividade e, acima de tudo, uma maneira tão única de ver e expressar a mística do “fazer cinema com paixão”.

Julieta dos Espíritos (Giulietta degli Spiriti, Itália/França, 1965) conta a história de uma mulher que, ao desconfiar que o marido a traia, começa a ser acometida por visões.

Mas não pensem que se tratam de visões com espíritos malignos ou com aquelas aparições fantasmagoricamente toscas. Esse contato com o (sur)real, com um outro mundo de significados, leva Julieta (Giulietta Masina) a uma jornada de novas descobertas que a fazem despertar para a vida.

Despertar para sensações nunca antes sentidas. Despertar para aquilo que realmente traz unicidade e valor ao “ser vivente”, para tudo aquilo que realmente importa quando nos deparamos com as nossas reais necessidade e desejos.

Peço desde já desculpas a qualquer leitor que tenha chegado ao final deste texto, mas é meio difícil ser claro, conciso e jornalisticamente objetivo quando, pela primeira vez, assisti a uma obra-prima tão cheia de cor e esplendor, do mestre atemporal Federico Fellini.

Gozei!

É até bom salientar que o filme concorreu ao Oscar nas categorias “Direção de Arte” e Fotografia”, além de ganhar o prêmio Globo de Ouro de “Melhor Filme Estrangeiro”. Aliás… Não precisa de nada disso não… É Fellini!

O que vale mesmo salientar é que no texto original, pro site “Dentro do Balaio” que a gente montou no curso de comunicação da UFV em 2007, eu não escrevi a palavra “Gozei!”… Ainda era um jornalistinha meio retraidinho com as palavras. E com o sentido delas… Chato, né?!

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Não volte, Lucía!

Junho 12, 2009

Lucía

Na noite-tédio de sexta, liguei a TV na tentativa de cair no sono. Assisti Jô Soares, vi umas duas ou três entrevistas de não sei quem e acabei percebendo o quão o nome dele é estranho… Jô de quê?! João? José? Joaquim? Bem… de qualquer forma é um nome de sonoridade feia…

Depois assisti o Som Brasil, vi Aline Calixto, uma cantora que começou em Viçosa, cantando agora com Martinho da Vila. Fiquei um tanto quanto nostálgico… Nossa! O tempo passou e eu nem vi… Parece que foi ontem que cheguei de ressaca do Leão depois de uma noite de Beba do Samba.

Depois disso, ainda sem sono algum e com uma pequena euforia nostálgica dos tempos passados, assisti o Inter Cine, vi um filme horroroso sobre vampiros e lobisomens. Um massaroque desembolado em que uma vampira se apaixona por um ser humano que vira lobisomem e depois vira um vampirosomem, que é uma coisa que nem os seres humanos, nem os vampiros e nem os lobisomens sabem direito o que é… Só se sabe, o que era de se esperar, que eles ficam juntos no final. A vampira e o vampirosomem. Mas, de qualquer forma, bom ou ruim, assisti o filme todo sem titubear.

Foi assim, com os olhos marejados de sono e com uma pequena esperança de conseguir dormir, que conheci Lucía.

Uma mulher interessante, bonita, sofisticada… Grande escritora de livros infantis, que estava prestes a viajar pro Rio de Janeiro com o marido. Nada anormal, até o momento em que o suposto marido desaparece no aeroporto em meio às bagagens.

As coisas ficam ainda mais estranhas quando Lucía percebe que aquela história que contava não era sua. Pelo menos não completamente: era escritora, mas não era famosa; não era tão sofisticada quanto aparentava inicialmente, mas não deixava de ser interessante.

Pois bem… Seu marido desapareceu misteriosamente. O que fazer?

Bem… O primeiro passo é falar com a polícia sobre o desaparecimento. Isso, se os sequestradores não tivessem ligado antes pedindo um resgate de 20 milhões!

Mas de onde Lucía, uma escritora falida, com um marido falido, iria tirar 20 milhões?!

Claro! Da conta sigilosa que o marido mantinha, com 20 milhões de dólares.

Bem… É aí, na  verdade, que começa a história de Lucía, quando ela conhece seus vizinhos: um senhor, veterano de guerra, e um jovem músico, que tentam ajudá-la a descobrir onde está o marido e porque ele teria 20 milhões de dólares em sua conta.

Mas não é o desenrolar e o desfecho dessa história que fizeram com que eu me interessasse por Lucía, mas seu desprendimento do real. Mesmo em meio a toda merda que era sua vida, e depois, quanto tudo se tornou uma merda maior ainda, ela tinha aquela capacidade que poucos tem de vislumbrar novas possibilidades… De criar novos mundos, novos amores e novas Lucías.

Gosto de imaginá-la no vestido de festa vermelho, com taças de champanhe na mão, esperando seu amor juvenil bater à porta.

Apesar da vida nem sempre ser como a gente espera ou gostaria que fosse, não volte, Lucía!

Continuemos sonhando…

O seu (e o meu) desejo são os rastros que ficaram do dia.

E nunca acordamos desse sonho.

E nunca dormimos…

Aos olhos de uma mulher (Lucía, Lucía ou La hija del canibal, 2003, Antonio Serrano)
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Sombras de Concreto

Novembro 27, 2008

sombras-de-concreto

Documentário sobre a queda do muro de Berlim produzido pelos/as estudantes de Comunicação Social/Jornalismo André Pacheco, Bárbara Gegenheimer, Geanini Hackbardt, Talita Aquino e pelo jornalista Thiago Padovan.


Universidade Federal de Viçosa, novembro de 2008.

Sinopse poética:

Cortinas, paredes, estruturas de concreto nunca foram tão insignificantes em sua materialidade.

Transcederam o limite do físico em sua representação e simbologia.

Imagens de um muro.

A divisão entre leste e oeste.

Escravidão e liberdade.

Capitalismo e socialismo.

Da Berlim ao meio à Berlim unificada.

As marcas da guerra fria nos restos do muro.

No mais, tirem os muros de Berlim de suas mentes.


Sombras de Concreto – Parte 1

Sombras de Concreto – Parte 2


Parabéns ao Pacheco, à Bárbara, à Djani, à Xalita e a mim também, né não?!
Que mais noites de arrotos, peidos, cigarros, refrigerantes, comidas gordas  e boas idéias venham por aí…
Pois como diria a companheira Fran, o documentário ficou “mara gold”.
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Rua das Magnólias, nº 82.

Novembro 16, 2008

magnolia

- It’s just no good anymore / Since you went away / Now I spend my time / Just making rhymes / Of Yesterday / Because one is the loneliest number / That you’ll ever do / One is the loneliest number / That you’ll ever know -
One, Aimee Mann

Poderia você me salvar? Das loucuras, das suspeitas, dos riscos, de nunca amar alguém?

Não. Isso não vai passar enquanto não crescermos.

Mas já ajuda, pois “um” é o número mais só que todos nós conhecemos. É mais fácil segurar a onda acompanhado. Afinal, isso acontece o tempo todo. O tempo todo. As impossibilidades possíveis acontecem a todo momento. Boas e ruins. E isto não vai parar. Não. Não enquanto não crescermos.

Será que crescer é isso? Entender que existe muito de possível nas impossibilidades da vida? Entender daí que, a partir de então, tudo sempre é possível? É admitir que as loucuras, as suspeitas, os riscos e nunca amar alguém é sempre passível de acontecer, é sempre possível? É reconhecer, mais ainda, que pra todas as loucuras, todas as suspeitas, todos os riscos, todos os amores, existe uma possibilidade?

Parei de pensar em tudo. Fumei um cigarro. Só assisti. Não conseguia acompanhar plenamente. Fiquei enebriado por um tempo.

Mas se recusares deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos, dizia Deus ao faraó. Nesse grande jogo que é a vida, não importa o que espera, o que merece, mas o que você alcança, profetizava o adolescente que só pensa em sexo. O passado já era para nós, mas não nós para o passado, rememorava o gênio ingênuo de meia-idade. São tantos os arrependimentos, apenas passamos pela vida, dizia o velho senhor à beira da morte. Eu não sou um brinquedo, não sou um boneco, dizia a criança enquanto renascia.

Cada uma dessas palavras ficaram grudadas em mim. Palavras pegajosas, tamanhas reflexões. Calmo e atordoante ao mesmo tempo. O que há por trás dessas falas de tanto arrependimento, desgosto e esperança? Castigo ou redenção?

Alguns diriam que é castigo para Deus e redenção para Paul Thomas Anderson, diretor de Magnolia (1999).

Mas prefiro não achar isso nem aquilo, pois creio ainda, enquanto sonhador que sou, que tudo é possível. Ambas opções ainda assim não deixam de ser uma intervenção divina, para aqueles que acreditam, né não?
Como diz o esperançoso tira apaixonado, Não é nada fácil pra mim tomar uma decisão. Isto é lei. Lei é lei, e eu não quero infringi-la. Mas você pode perdoar uma pessoa. Bem, essa é a parte difícil. O que podemos perdoar? É a parte difícil do trabalho. A parte difícil de ser um ser humano.

Um suspiro! Um suspiro de alívio. Um alívio um tanto quanto mórbido: Deus (ou um estranho fenômeno meteorológico) dá o momento, o pano de fundo pra ficha cair, e nós, pelo livre arbítrio que Ele (ou nossa capacidade de inferência humana) nos confere, podemos escolher?

Pois é. Deve ser por isso que essa é a parte difícil do trabalho, que essa é a parte difícil de ser um ser humano. Tem haver com coragem, com consciência, com força pra admitir que o outro existe. Força pra dar as caras e fazer escolhas sensíveis aos nossos desejos e vontades. E isso é importante para dar fluxo às coisas, para dar fluxo à vida. É sim. Para que possamos passar por ela e deixar algum rastro pra alguém, sem tantos arrependimentos.

No mais, a essa hora da madrugada inusitada, queria apenas que os sapos caíssem do céu. Pedi incrédulo, enquanto o olhar confuso continuava fixo: Por favor, caiam pra mim. E pra tantos outros.

Mas sei que eles não vão cair. Não enquanto não crescermos. Não enquanto não formos possíveis.

Por isso é que crescer nunca é demais. É acreditar cada dia mais que podemos fazer o impossível.

Aos amantes, aos errados, aos militantes, aos amigos, aos lutadores, aos permeáveis, aos alternativos, aos esperançosos. Somos todos companheiros, com olhos marejados de magnólias. Afinal, one is the number divided by two.

Wise up – Aimee Mann – Magnolia

Save me – Aimee Mann – Magnolia

∞ Mais informações sobre o filme:

Magnolia pela Wikipedia (em inglês, mais completo)
Magnolia pela Wikipedia (em português)
Site oficial de Magnolia pela New Line Cinema
Crítica de Magnolia pelo Cine Players

∞ Para baixar o filme:

Torrent do Magnolia pelo Mininova

∞ Para baixar a trilha sonora:

Trilha Sonora de Magnolia pelo Rapidshare

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Um pequeno filme sobre amor

Outubro 29, 2008

Esperava encontrar alguém… Procurei incessantemente. Devo ter tomado uns dez copos de café. Fumado uns sete cigarros. Andei por todo o lugar. Conversei com alguns poucos, que devem ter visto você aqui. Mas não me atrevi a perguntar. Afinal, não nos conhecemos. Não formalmente. Nunca conversamos. Somente alguns verbetes próprios do ofício. Tenho apenas te observado. Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela. Afinal, quem é você? Vejo tudo enquadrado… Remoto controle.

Nada.

Não vejo nada. Não encontrei nada. Só essa sensação estranha de reconhecimento. Mórbida e esquisita igualdade. Igualdade de desconhecimento.

Esquadros

Através de frases meio entrecortadas, falo de acasos. Falo de Não Amarás (A Short Film About Love, 1988), filme do polonês Krzysztof Kieslowski. Falo do amor inocente do carteiro pela avassaladora artista. Falo do amor de Florentino Ariza por Fermina Daza, em O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel Garcia Marques. Falo das Conversas de Botas Batidas, de Los Hermanos. Falo dos Esquadros, de Adriana Calcanhoto. Falo dos nossos pequenos prazeres, dos feixes de paixões incitados por desconhecidos e desconhecidas desse mundo. Falo daquele arrepiozinho gostoso que dá na espinha quando a gente vê alguém interessante. Falo dos casos e mais casos de voyeurismo velado que existem por aí. Falo dos amores de tantas rugas escondidos pelos recantos mais inóspitos da alma.

Quem nunca olhou pela fresta da porta, pelo vão da janela, pelo vidro do carro? Atire a primeira pedra, por favor! O pobre carteiro não está errado. Tampouco Florentino. São apenas formas de sentir. Um sentir diferente daquele idealizado pelos rococós do grande e maravilhoso amor imortal. Uma forma de amar diferente das cantigas de amigo. Diferente até das besteirinhas amorosas da pós-modernidade, onde tudo que é esteticamente belo por fora tem o dever de ser amado. É simplesmente achar que sofrer é amar demais.

Conversa de Botas Batidas

Porém, o “amar demais” pode se transformar em “sofrer em demasia” quando não se é correspondido. Talvez, nem todos os momentos importantes pra nós sejam importantes para o outro. Uma pena, mas nem todo mundo ama na mesma medida. Não da mesma forma, não com a mesma intensidade. Mas creio que o importante mesmo é a partilha. É participar, mesmo que às escondidas, da vida de alguém. Compartilhar as dores e as delícias, mesmo que de longe. É entender e aprender um pouco mais com esses processos de formação do olhar.

Assim o amor pode ser uma medida, de algumas ou de todas as coisas, a depender dos olhos de quem olha.

Pode ser tudo.

Do nada, descobre-se o tudo. Descobri, acima de tudo, que no nada podemos encontrar tudo que desejamos. Sensações estranhas, sensações naturais, sensações humanas.

Mórbida condição.

Afinal, como dizem uns e outros por aí, voyeurismo também é participação. E o amor pode até ser considerado uma forma dolorosa de sentir a vida, mas ainda assim é gostoso de sentir. Fala você que não é, pois, a partir daqui, eu é que não falo mais nada. Quero ouvir. E, por enquanto, para além do falar e do ouvir, prefiro caminhar. E escrever.

Coisas de gente sem pé nem cabeça… Mas com coração.

∞ Mais informações sobre o filme, o livro e as músicas:

A Short Film About Love pela Wikipedia
O Amor nos Tempos do Cólera pela Wikipedia
Letra de Conversa de Botas Batidas pelo Vagalume
Letra de Esquadros pelo Vagalume

∞ Para baixar o filme:

Torrent de A Short Film About Love pelo Fulldls

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Por terras planas

Setembro 15, 2008

A chuva cai duramente. Chega a queimar.

Respire. Sinta. Ame. Liberte. Vai! Atravessa o muro. Entra pela porta e vai!

Os lugares estão postos à mesa. As bocas famintas. Todos que tocaram sua vida de alguma forma estão em seus devidos lugares, apreciando os  belos tomates cozidos em pratos de porcelana ao centro do tablado. Basta saber se irão simplesmente comê-los,  ou se irão alvejá-los indiscriminadamente. Afinal, o prato principal está por vir. Mas para que esperar? Ataquemos com voracidade! A vida está aí, garoto. Take a walk on the wild side!

Mas, um porém. É sabido que, para sermos livres, devemos deixar pra trás uma pequena parte de nós mesmos.

Para Hedwig Robinson essa prerrogativa é bastante verdadeira. Deixou a pátria, a mãe, o membro sexual masculino e uma trilha de Gummy Bears pelo caminho. Levou consigo os sonhos, as dúvidas e a vontade de amar… O novo lar, a pequena cidadezinha de Junction City, no Kansas, demonstrara-se demasiadamente cruel para o afeminado jovenzinho franzino da velha Berlim Oriental.

Wicked Little Town

Mas o que Hedwig procurava de tão importante para deixar tudo pra trás? Para que se arriscar do outro lado do muro? Que ânsia é essa de experimentar o lado selvagem da vida? Vontade profana de provar o gosto do poder?

Não são necessárias respostas. Importantes são os questionamentos.

Acho que é um pouco disso que John Cameron Mitchel, diretor de Hedwig and The Angry Inch (2001), procurava. Questinamentos. Sobre o amor, sobre o sexo, sobre a vida que se leva e aquela que se busca. Questionamentos sobre aquilo que realmente vale a pena. Mas o que é que ainda vale a pena hoje em dia?

Encontrar-se… Para Hedwig vale a pena o “encontrar-se”. Não apenas para se auto-afirmar perante todos aqueles que passaram por sua vida, nem para simplesmente dar um basta às mãos que alvejaram os tomates outrora, mas para ser livre.

Mas o que significa “liberdade” na sociedade em que vivemos?! Poder ir e vir? Poder expressar-se?

Como diria Clarice Lispector, liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome.

E, ao que parece, para Hedwig esse sentimento é tão grandioso, tão forte e tão pesado, que não há possibilidade de verbalizá-lo. Muito menos descrevê-lo com exatidão, sem rodeios linguísticos ou expressões fadadas à subjetividade poética. É como andar por uma Terra plana, onde podemos ver o que nos espera no horizonte. É como olhar para as nuvens feitas de fogo, onde os astros dançam à volúpia do infinito. É como olhar para trás e perceber que não se está sozinho no mundo.

The Origin Of Love

Mas a Terra é redonda, as relações verticais, o horizonte não tem fim, o céu é feito de um gás rarefeito. A chamas apagaram-se. Resta-nos a procura. Resta-nos a sorte. O amor. Resta-nos encontrar esse amor, que está perdido pela imensidão das coisas. Perdido pela grandiosidade da fúria divina.

Encontrar o amor! Vejam o tamanho clichê a que nos atiramos aqui, senhoras e senhores!

Esse encontro com o amor não seria uma forma de nos encontrarmos também? Encontrar nossa outra metade? Encontrar maneiras de completar aquilo que se encontra vazio?

Não sei responder, pois assim como tantos/as outros/as Hedwigs que vagam pela Terra, ainda não encontrei nada. Nem sei se vou encontrar. Só sei que, se essa é a nossa possibilidade de brilhar, como a mais alta das estrelas, sigo tentando, por mais doloroso que isso possa ser.

Midnight Radio

No mais, encerro aqui a transmissão da meia-noite. E espero encontrar a saída do beco. In your arms tonight.

Dedico à Talita, ao Raul, à Bel, ao Fred, à Thaís, à Djani, à Fabi, à Kamila e a todos que tocaram minha alma e mudaram meu caminho… Um brinde. Independente de onde estiverem, terão sempre um lugar à minha mesa. E no meu coração.

∞ Mais informações sobre o filme:

Hedwig and The Angry Inch pela Wikipedia
Site Oficial de Hedwig and The Angry Inch
Notas da Produção de Hedwig pelo Web Cine

∞ Para baixar o filme:

Torrent do Hedwig and The Angry Inch pelo Isohunt

∞ Para baixar a trilha sonora:

Trilha Sonora de Hedwig and The Angry Inch pelo Rapidshare

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Preparando o caminho do senhor…

Setembro 14, 2008

Horário mais apropriado não há. Cinco da manhã. Insônia.

Essa hora me lembra a primeira vez que assisti o musical Godspell (1973), numa sessão um tanto quanto inusitada do Corujão.

Nunca pensei que uma releitura contemporânea do Evangelho de Matheus pudesse me emocionar tanto. Mas foi assim, com a vontade do Todo Poderoso, que Stephen Schwartz e John-Michael Tebelak, diretores do filme, conseguiram trazer à minha mente “fechada” até então ao cristianismo, elementos de tanta beleza e carinho.

Já havia ouvido diversas vezes, tanto nos encontros do catecismo quanto nos da crisma, que “Jesus é amor” e que “Deus é vida”, mas nunca nenhum professor-devoto conseguiu me fazer acreditar nessas frases com a vivacidade necessária para abraçar a bondade cristã e,  então, torna-me minimamente um católico apostólico romano não-praticante, como muitos que existem por aí.

Essa relação de amor e ódio com o catolicismo perdurou durante todo minha infância e adolescência. Não conseguia (e creio que ainda não consiga) compartilhar vivências embebidas de um sentido religioso dentro de um templo fechado, com tanta gente alheia à palavra, mas interessada na estética, no modo de vestir, no modo de andar, de falar, de orar e de amar do próximo. Estigmas da pequena cidadezinha onde vivi até meus 17 anos. Estigmas de tantos outros templos de madeira e pedra, ornados em mármore, com belos vitrais e imagens perfeitas de santos que muitos conhecem, mas poucos sabem os feitos e milagres.

Essa relação com o espaço me encanta no musical, pois todo o trajeto de Jesus, as parábolas, os ensinamentos, são trabalhados nas ruas de Nova Iorque, através do teatro, da música, do gesto, do olhar… Elementos que faziam falta nas aulas de catecismo e crisma.

All for the best

Não há como passar despercebida a relação entre Jesus Cristo, o salvador, e Judas Iscariotes, o traidor, no decorrer do filme. O contraste e, muitas vezes, a inversão de valores de uma figura religiosa para a outra são latentes, ao mesmo tempo que nos mostra tanta vida e tanta pureza, que acaba tornando os personagens da história mais humanos.

Humanos no sentido de que, por mais da divindade, existe ali, tanto em Jesus quanto em Judas (assim como em todos os outros personagens), um coração que bate, uma mente que vive a contradição do dia-a-dia, corpos que coexistem e sabem que cada um tem sua tarefa no mundo, que cada um tem uma cruz particular, e até mesmo íntima, a carregar. E que o trajeto, para ambas as partes, é doloroso, sendo você o salvador ou o traidor da história.

By my side

Sentir toda essa vida, toda essa idéia de caminho a ser seguido e, principalmente, sentir que Deus é um cara solidário e cheio de amor, que pode nos aceitar como somos, apesar de todos os nossos problemas, são outros elementos que faltaram à minha formação religiosa.

Mas não vou me lamentar por não ter seguido as pegadas na areia. Contento-me em acreditar que uma força maior (podemos chamar de Deus, tá bom?!) nos ajuda a seguir os belos e dolorosos caminhos da vida e que Jesus era um cara bacana, mas, acima de tudo, era um ser humano.

No mais, vou seguindo sem uma religião predestinada. Não sei se me aguardam as portas do céu ou os portais do inferno. Prefiro não pensar muito nisso. É duro demais. Cartesiano demais. Binário em demasia.

Por enquanto, vou carregando algumas cruzes. Seguindo o caminho. Day by day.

Day by day

∞ Mais informações sobre o filme:

Godspell pela Wikipedia

∞ Para baixar o filme:

Torrent do Godspell no Mininova

∞ Para baixar trilha sonora:

Trilha Sonora de Godspell no 4shared