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Desamor em quatro atos

18 18UTC Outubro 18UTC 2011

Para melhor abertura visual do lobo occipital: Jorge da Capadócia

Mantra urbano nº2

Me vem como dedos
Me sai como braços
Palavras cruzadas para vir
Esperanças cruzadas ao sair
É furacão violento que se ganha para se perder
É tumor extirpado em fúria
Sabe-se lá de onde.

Ato II – Like sex on fire

Lugar: Apartamento 01
Pessoas: Nós dois e o sofá
Fundo musical: Sex on fire

- Espera um cado. Todo mundo dormir.

- Vamo lá. Devagarinho por enquanto. Pódisê?!

Às 4h30 da madruga, eram breves. Os toques, os afagos, digo. Nada contidos, só  breves. Mecânicos, de certa forma, como se todo corpo fosse igual, como se todo sexo fosse comum, sem nada de tão extraordinário. E, diga-se de passagem, hajam copos sujos, corpos suados e transas noturnas pra tantas histórias mundanas! Gente antiga essa… Na arte da piranhagem, dizem por aí as velhas e boas línguas.

E ainda assim, nessa noite que era mais uma, transavam perceber determinadas subjetividades do corpo físico, pequenos resquícios de alma que pairavam em fina camada acima do arrepio da pele. Sentidos que viviam naquela mão derrapada por detrás do pescoço, que sussurravam gemidos ao pé do ouvido, que se deixavam desfalecer por dentre as partes quentes dos corpos em êxtase.

Eram os olhos. As semicerradas pálpebras.

Às 5h, quando o mundo parecia dormir, o sofá verde de dois lugares ao canto esquerdo da sala sofreu pequenos abalos sísmicos. Tira mão daqui, bota lá, curva aqui, desdobra acolá. Os pequenos quadros de Toulouse-Lautrec emoldurados em latão pareciam olhar a cena e conversar euforicamente entre si. As paredes brancas ardiam em ondas multicoloridas que se propagavam concêntricas pelo ambiente.  E, enquanto isso, o inevitável cansaço tomava notas e prestava contas da transação que ocorria; o sono começava a reinar absoluto sobre a tentativa de desvendar quaisquer dos mistérios gozosos.

Era a preguiça. A mãe suprema dos vagabundos.

Os braços se envolveram naturalmente. As mãos permaneceram dadas. E numa daquelas cenas clichê de filme adolescente, permaneceram abraçados como dois corpos adormecidos na superfície lunar, dois amantes do círculo polar, dois perdidos numa noite suja.

Era o carinho. O espinho que não se vê em cada flor.

Atos de desamor em releitura: Número 1

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