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Não volte, Lucía!

Junho 12, 2009

Lucía

Na noite-tédio de sexta, liguei a TV na tentativa de cair no sono. Assisti Jô Soares, vi umas duas ou três entrevistas de não sei quem e acabei percebendo o quão o nome dele é estranho… Jô de quê?! João? José? Joaquim? Bem… de qualquer forma é um nome de sonoridade feia…

Depois assisti o Som Brasil, vi Aline Calixto, uma cantora que começou em Viçosa, cantando agora com Martinho da Vila. Fiquei um tanto quanto nostálgico… Nossa! O tempo passou e eu nem vi… Parece que foi ontem que cheguei de ressaca do Leão depois de uma noite de Beba do Samba.

Depois disso, ainda sem sono algum e com uma pequena euforia nostálgica dos tempos passados, assisti o Inter Cine, vi um filme horroroso sobre vampiros e lobisomens. Um massaroque desembolado em que uma vampira se apaixona por um ser humano que vira lobisomem e depois vira um vampirosomem, que é uma coisa que nem os seres humanos, nem os vampiros e nem os lobisomens sabem direito o que é… Só se sabe, o que era de se esperar, que eles ficam juntos no final. A vampira e o vampirosomem. Mas, de qualquer forma, bom ou ruim, assisti o filme todo sem titubear.

Foi assim, com os olhos marejados de sono e com uma pequena esperança de conseguir dormir, que conheci Lucía.

Uma mulher interessante, bonita, sofisticada… Grande escritora de livros infantis, que estava prestes a viajar pro Rio de Janeiro com o marido. Nada anormal, até o momento em que o suposto marido desaparece no aeroporto em meio às bagagens.

As coisas ficam ainda mais estranhas quando Lucía percebe que aquela história que contava não era sua. Pelo menos não completamente: era escritora, mas não era famosa; não era tão sofisticada quanto aparentava inicialmente, mas não deixava de ser interessante.

Pois bem… Seu marido desapareceu misteriosamente. O que fazer?

Bem… O primeiro passo é falar com a polícia sobre o desaparecimento. Isso, se os sequestradores não tivessem ligado antes pedindo um resgate de 20 milhões!

Mas de onde Lucía, uma escritora falida, com um marido falido, iria tirar 20 milhões?!

Claro! Da conta sigilosa que o marido mantinha, com 20 milhões de dólares.

Bem… É aí, na  verdade, que começa a história de Lucía, quando ela conhece seus vizinhos: um senhor, veterano de guerra, e um jovem músico, que tentam ajudá-la a descobrir onde está o marido e porque ele teria 20 milhões de dólares em sua conta.

Mas não é o desenrolar e o desfecho dessa história que fizeram com que eu me interessasse por Lucía, mas seu desprendimento do real. Mesmo em meio a toda merda que era sua vida, e depois, quanto tudo se tornou uma merda maior ainda, ela tinha aquela capacidade que poucos tem de vislumbrar novas possibilidades… De criar novos mundos, novos amores e novas Lucías.

Gosto de imaginá-la no vestido de festa vermelho, com taças de champanhe na mão, esperando seu amor juvenil bater à porta.

Apesar da vida nem sempre ser como a gente espera ou gostaria que fosse, não volte, Lucía!

Continuemos sonhando…

O seu (e o meu) desejo são os rastros que ficaram do dia.

E nunca acordamos desse sonho.

E nunca dormimos…

Aos olhos de uma mulher (Lucía, Lucía ou La hija del canibal, 2003, Antonio Serrano)

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