Para ler ouvindo Jeff Buckley.
Olhando pela porta vi a chuva cair sobre as casas, sobre os pratos, sobre as roupas, sobre a rua toda, sobre todo o caminho. Um certeiro, outro matreiro.
- Por que não podemos transpor esse muro?
- Você não me conhece bem.
- Deixa conhecer…
Cara fechada. Olhos baixos. Lábios de reprovação. Nada feito. Sintomático…
- Algumas vezes um homem não pode suportar o peso em suas costas.
- Podemos carregar juntos.
- Pra que, se você sabe que não tem ninguém na vida?
- Tem a mim…
Cabeça em movimento negativo. Olhos entreabertos direcionados pra cima. Sinal de cansaço. Preguiça mental. Insuficiente…
- Meu reino por um beijo, todo meu sangue pela delicadeza de seu sorriso.
- Isso nunca vai dar certo. Você não vê? Somos di-fe-ren-tes!
- E a diferença não edifica? Me proponho a tentar… E você?
De pé. Na casa. Na porta. Na rua. No caminho. Em tantos caminhos. Longe.
Muito jovem pra seguir em frente com um amor, muito velho pra quebrar o muro e correr. Muito fraco pra carregar o peso que acumulou, muito cego pra ver a cagada que fez.
Então eu espero por você. E queimo. Por fora, por dentro, pela porta, pela casa, por toda a rua, por todo o caminho.
Louco por amor, sem ter como alimentá-lo.
Mas talvez não seja tão tarde. Como diria Jeff, Lover, you should’ve come over…



