Arquivo de Novembro, 2008

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Sina. Sino. Sinestesia.

Novembro 28, 2008

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Sentimento de festa acabada.

De bebida derramada. Cigarro fumado. Transa malacabada.

Nostalgia desperdiçada. Despedaçada. Desenterrada.

Aquela sinestesia transcendente. Gustação do olfato. Tato do mundo.

Se foi.

Voltou pra caixa. Alucina a pobre Pandora. Que espera.

Desejo de satisfação insatisfeito. Insuspeito. Insurgente.

Simples insurreto em um espaço surreal. Sem local.

Idéia imoral do espinho que não se vê em cada flor.

Do carinho.

Da vida quando chega…

Do sair denovo!

E faço festa: olfativa. gustativa. insurreta.

Sinestésicos momentos.

Efêmeros no sentido. Deslocados no senso.

Desalojados.

Dentro de mim.


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Sombras de Concreto

Novembro 27, 2008

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Documentário sobre a queda do muro de Berlim produzido pelos/as estudantes de Comunicação Social/Jornalismo André Pacheco, Bárbara Gegenheimer, Geanini Hackbardt, Talita Aquino e pelo jornalista Thiago Padovan.


Universidade Federal de Viçosa, novembro de 2008.

Sinopse poética:

Cortinas, paredes, estruturas de concreto nunca foram tão insignificantes em sua materialidade.

Transcederam o limite do físico em sua representação e simbologia.

Imagens de um muro.

A divisão entre leste e oeste.

Escravidão e liberdade.

Capitalismo e socialismo.

Da Berlim ao meio à Berlim unificada.

As marcas da guerra fria nos restos do muro.

No mais, tirem os muros de Berlim de suas mentes.


Sombras de Concreto – Parte 1

Sombras de Concreto – Parte 2


Parabéns ao Pacheco, à Bárbara, à Djani, à Xalita e a mim também, né não?!
Que mais noites de arrotos, peidos, cigarros, refrigerantes, comidas gordas  e boas idéias venham por aí…
Pois como diria a companheira Fran, o documentário ficou “mara gold”.
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Livro de Cabeceira

Novembro 19, 2008

Φ Capítulo 1 Φ

- 3ª Página – Soneto de Quadrado -

Tudo em seus lugares.
A xícara, o cinzeiro, os livros, os chapéus, os filmes, as fotos, a colcha, o quadro de avisos,
Todos em seus lugares.
Os amigos, os caminhos, os encontros, as despedidas, os encantos, os desencantos,
Tudo e todos: lugares algozes, seguindo a teoria pós-moderna do quadrado.
Cada um no seu.

Eu?

Perdi o dia de hoje fazendo rimas de ontem.
Na verdade, ganhei.
Pois o ontem remontou o hoje pensando no amanhã,
E isto não vai parar.

Tomara.

- Listas -

Cinco Lugares:

- Terra Roxa, minha casa, meus pais, meus amigos…
- Viçosa, minha casa, meus amigos, minhas loucuras…
- Museu, seus solos, seus cafés, meus sorrisos…
- Mar, sua calma, suas águas, minhas esperanças, minhas ondas…
- Rio de Janeiro, seus excessos, seus exércitos de salvação…

Cinco Músicas:

- Save me – Aimee Mann (letra)
- Saudosa Maloca – Adoniran Barbosa (letra)
- Reptilia – The Strokes (letra)
- Dindinha – Ceumar (letra)
- Roda Viva – Chico Buarque (letra)

Cinco Filmes:

- Magnolia – Paul Thomas Anderson (torrent / wikipedia / teorias)
- Não Matarás – Krzysztof Kieslowski (torrent / wikipedia)
- Bonequinha de Luxo – Blake Edwards (torrent / wikipedia)
- Yellow Submarine – George Dunning e Dennis Abey  (torrent / wysiwicked)
- C.R.A.Z.Y – Jean-Marc Vallée (torrent / wikipedia / site oficial)

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A gota d’água

Novembro 17, 2008

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A primeira gota de chuva caiu do céu e veio diretamente pro meu olho. Parecia estar chorando na rua, com o olhar estatelado.

Engraçado.

Enquanto todos corriam, eu andava calmo, só desviando dos carros. Não procurei nenhuma marquise, nem tirei o fone do ouvido. Só andei. Sabe aquele andar instintivo diferente da maioria? Todos com o calcanhar em fúria, eu com os pés calmos. Nem pensei em me apressar.

Engraçado.

Medo de chuva. Todo mundo corria como se fosse um tufão.  Pra que? Por acaso isso mata? Depende da ocasião, né não? Se fosse nos Estados Unidos, na Índia, na Coréia, nesses lugares onde acontece todo tipo de desastre e desgraça natural, tudo bem. Mas um chuvisco torrencial de fim de tarde no Brasil num causa mal algum não, uai. Ou causa?

Bem, só sei que nada sei… Não entendo direito nada de nada.

Mas que lavou um pouco a alma, isso lavou. Precisava de uma revisãozinha, a alma. Pra sair um pouco da lama do dia-a-dia. Deve ser por isso que as pessoas tem medo da chuva. Na verdade, deve ser um medo de lavar a alma. Medo de essa ser a decisiva gota d’água.

Engraçado.

Alma e Lama tem as mesmas letras. Uma está cheia da outra, em todos os sentidos. Uma se forma com a chuva e a outra tem medo dela. Acaba que uma complementa a outra, né não? Alma, lama; lama, alma. É… Irmãzinhas. Gostei. Mas, dentre tantas coisas boas, coisas ruins, rimas boas, rimas ruins, já vou logo me precipitando a dizer: entre a lama e a alma, prefiro ir com a calma.

Jesus!

Quanta patota! Quanta análise furada! Quanta coisa de gente retardada…

Arre, bobajada! Sai daqui, coisa ruim, viagem errada da porra!

No mais, sem filosofias, só sei que fiquei ensopado. E quando acabei de subir as escadas de casa, sorri.

Simples assim. Sorri.

Mas deixa eu parar por aqui. Deixa pra lá também. É melhor.

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Problemas demais

Novembro 17, 2008

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A festa acabara há tempos. As luzes do apê se apagaram pra deixar o sol fazer a festinha matinal.

Aimee Mann saía do rádio e tomava todos os espaços. Passou pela cozinha cheia de louças pra lavar, tomou o corredor e incendiou a sala. Now that I’ve met you, would you object to never seeing each other again? Os copos sobre a mesa, entulhada de garrafas de bebida e cinzeiros lotados de guimbas, pareciam tremer ao som da música. O quarto, com a porta entreaberta, deixava a música e a luz entrarem.

Corpos embrulhados debaixo do edredon azul, cheio de estrelas amarelas. Dois. Somente dois. Amantes de um círculo vicioso em uma cama de flores murchas, de tanto transpirar.

Pareciam cansados, quase mortos, na verdade. Olhos fundos de olheiras, gosto de cabo de guarda-chuva na boca, cabeça rodando, mas nada de amnésia alcoólica. Sabiam de tudo que havia acontecido. A garrafa d’água ao lado da cama. As roupas jogadas por todo o recinto. Os maços de cigarros, o de filtro branco e o de filtro amarelo, carcomidos em cima da banqueta. O olhar e o ambiente indicavam certeiro: cagada. Mas, não se sabe porque, continuavam deitados. Ela de frente pra ele. Ele de frente pra ela. Começaram a se olhar, quase que instantaneamente, quando ouviram a primeira frase da música.

Pareciam ter acordado juntos, ao mesmo instante. Caso raro. Geralmente um acorda antes do outro e fica a mercê de duas possibilidades: ufa, que bom!, e volta a dormir ou continua a observar o outro dormindo ou merda, que cagada!, e volta a fechar os olhos ainda acordado, refletindo sobre o que teria acontecido horas atrás.

Esse não era nenhum dos dois casos. Tinham acordado juntos. Fitavam um ao outro com olhares ambíguos: ora de aflição, ora de safistação, quiçá de felicidade. Não sabiam o porque continuavam a se olhar, mas o importante é que se olhavam nos olhos, diretamente. Caso raro. As pessoas perderam um pouco da coragem de olhar nos olhos umas das outras . Medo de reprovação. Medo de abismo.

Ele e ela, não. Não estavam com esses medos naturais à condição humana.

Ela tomou a iniciativa: passou os dedos levemente sobre seu rosto. Acariciou sua barba.

Ele, de pronto, acariciou-lhe os lábios com as pontas dos dedos, desceu suavemente pelo pescoço e chegou aos seios. Sentiu seu coração bater mais forte. Ela também sentiu o dele. Os dois num mesmo compasso descompassado. A fumaça do incenso traçava uma linha.

- Isso não vai parar?

- Precisa?

- Sou apenas um problema que você precisa resolver.

- Então me deixa solucionar.

A partir de então resolveram solucionar tudo que fosse juntos, através do olhar. E os problemas se tornaram constantes na vida dos dois.

Ainda bem.

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Rua das Magnólias, nº 82.

Novembro 16, 2008

magnolia

- It’s just no good anymore / Since you went away / Now I spend my time / Just making rhymes / Of Yesterday / Because one is the loneliest number / That you’ll ever do / One is the loneliest number / That you’ll ever know -
One, Aimee Mann

Poderia você me salvar? Das loucuras, das suspeitas, dos riscos, de nunca amar alguém?

Não. Isso não vai passar enquanto não crescermos.

Mas já ajuda, pois “um” é o número mais só que todos nós conhecemos. É mais fácil segurar a onda acompanhado. Afinal, isso acontece o tempo todo. O tempo todo. As impossibilidades possíveis acontecem a todo momento. Boas e ruins. E isto não vai parar. Não. Não enquanto não crescermos.

Será que crescer é isso? Entender que existe muito de possível nas impossibilidades da vida? Entender daí que, a partir de então, tudo sempre é possível? É admitir que as loucuras, as suspeitas, os riscos e nunca amar alguém é sempre passível de acontecer, é sempre possível? É reconhecer, mais ainda, que pra todas as loucuras, todas as suspeitas, todos os riscos, todos os amores, existe uma possibilidade?

Parei de pensar em tudo. Fumei um cigarro. Só assisti. Não conseguia acompanhar plenamente. Fiquei enebriado por um tempo.

Mas se recusares deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos, dizia Deus ao faraó. Nesse grande jogo que é a vida, não importa o que espera, o que merece, mas o que você alcança, profetizava o adolescente que só pensa em sexo. O passado já era para nós, mas não nós para o passado, rememorava o gênio ingênuo de meia-idade. São tantos os arrependimentos, apenas passamos pela vida, dizia o velho senhor à beira da morte. Eu não sou um brinquedo, não sou um boneco, dizia a criança enquanto renascia.

Cada uma dessas palavras ficaram grudadas em mim. Palavras pegajosas, tamanhas reflexões. Calmo e atordoante ao mesmo tempo. O que há por trás dessas falas de tanto arrependimento, desgosto e esperança? Castigo ou redenção?

Alguns diriam que é castigo para Deus e redenção para Paul Thomas Anderson, diretor de Magnolia (1999).

Mas prefiro não achar isso nem aquilo, pois creio ainda, enquanto sonhador que sou, que tudo é possível. Ambas opções ainda assim não deixam de ser uma intervenção divina, para aqueles que acreditam, né não?
Como diz o esperançoso tira apaixonado, Não é nada fácil pra mim tomar uma decisão. Isto é lei. Lei é lei, e eu não quero infringi-la. Mas você pode perdoar uma pessoa. Bem, essa é a parte difícil. O que podemos perdoar? É a parte difícil do trabalho. A parte difícil de ser um ser humano.

Um suspiro! Um suspiro de alívio. Um alívio um tanto quanto mórbido: Deus (ou um estranho fenômeno meteorológico) dá o momento, o pano de fundo pra ficha cair, e nós, pelo livre arbítrio que Ele (ou nossa capacidade de inferência humana) nos confere, podemos escolher?

Pois é. Deve ser por isso que essa é a parte difícil do trabalho, que essa é a parte difícil de ser um ser humano. Tem haver com coragem, com consciência, com força pra admitir que o outro existe. Força pra dar as caras e fazer escolhas sensíveis aos nossos desejos e vontades. E isso é importante para dar fluxo às coisas, para dar fluxo à vida. É sim. Para que possamos passar por ela e deixar algum rastro pra alguém, sem tantos arrependimentos.

No mais, a essa hora da madrugada inusitada, queria apenas que os sapos caíssem do céu. Pedi incrédulo, enquanto o olhar confuso continuava fixo: Por favor, caiam pra mim. E pra tantos outros.

Mas sei que eles não vão cair. Não enquanto não crescermos. Não enquanto não formos possíveis.

Por isso é que crescer nunca é demais. É acreditar cada dia mais que podemos fazer o impossível.

Aos amantes, aos errados, aos militantes, aos amigos, aos lutadores, aos permeáveis, aos alternativos, aos esperançosos. Somos todos companheiros, com olhos marejados de magnólias. Afinal, one is the number divided by two.

Wise up – Aimee Mann – Magnolia

Save me – Aimee Mann – Magnolia

∞ Mais informações sobre o filme:

Magnolia pela Wikipedia (em inglês, mais completo)
Magnolia pela Wikipedia (em português)
Site oficial de Magnolia pela New Line Cinema
Crítica de Magnolia pelo Cine Players

∞ Para baixar o filme:

Torrent do Magnolia pelo Mininova

∞ Para baixar a trilha sonora:

Trilha Sonora de Magnolia pelo Rapidshare

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Palhaços no salão

Novembro 9, 2008

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Andávamos a passos largos e apressados. Tínhamos de ir logo ao supermercado, comprar todas aquelas coisinhas imprescindíveis à uma noite pra lá de divertida: comidas de beliscar, bebida alcoólica e cigarros. O que mais nos afligia, até então, era a falta do famigerado gim.

Acabamos indo de cerveja mesmo: um fardo de latões. Perambulamos um tiquinho mais pra pegar o restante dos ingredientes e partimos pra esperada, combinada e cada vez mais próxima, gandaia particular. Estávamos quase que fugindo do mundo.

Não, não era uma fuga de verdade, no-sentido-literal-da-palavra. Eram pequenas vontades, que há muito não eram realizadas. Conversar, partilhar, gargalhar. Falar da vida: nossa e dos outros, claro.

Enfim… Cerveja vai, cerveja vem. As canequinhas brindavam em sinal de alegria, mais loucas que o morcegão da DC Comics. Fomos pra cozinha, fazer a prometida porçãozinha de linguiça defumada com provolone e pão amanhecido. Delícia da vida. Chuchu beleza!

Lembro que falávamos de tudo um pouco. Dos projetos, das realizações passadas, dos romances que não davam certo, dos casos escabrosos e também dos engraçados.

Pequenas celebrações.

Noite severina, severina noite.

Nostalgia do passado, incerteza do presente e esperança de futuro.

Tudo era farto. Tudo era alegria. Tudo era cansaço. Tudo era disposição.

Tu-ru-ru-ru, Tu-ru-ru-ru, Tu-ru-ru-ru-ruuuuuuuu. Tu-ru-ru-ru, Tu-ru-ru-ru, Tu-ru…

Celular tocando. Que porre!, pensei.

- Alô?

- Vem pra cá, pra minha casa. Vêm agora!

- Num posso. Tô longe daí. E já são quase onze e meia. Num tem como não.

- Vou ter de falar por telefone, então… Acontece que a…

Parei de ouvir.

- Deixa eu conversar com outra pessoa, isso é brincadeira.

- Não é, mas, enfim…

O segundo pra passar o telefone de uma mão pra outra podia ter durado a noite toda, mas foi rápido, um segundinho só.

- É ver… ver… verdade sim. Ela morreu.

Pane. Choro. Tremedeira. Descompasso. Soco no estômago.

Calma, calma, o que foi?

Abraço. Água. Cigarro. Tremedeira. Senta. Cadeira. Aqui! Transe… Como pode?

Celular. Me empresta seu celular!

- É verdade mesmo?

- É! Vem logo pra cá. Tá todo mundo aqui!

Celular. Táxi. Cigarro. Tempo. Tempo. Tempo. Não passa, porra! Que merda!

Buzina. Portão. Rua. Porta. Rodovia. Choro. Choro. Choro. Descompasso. Gente fantasiada. Zorro, Batman, Amy, cotonete, puta, travesti, médico, Jesus! Gente louca! Gente estranha. Gente feliz… Eu, chocado. Com o paiol e o fósforo grudados na mão.

Desci as escadas com o coração em punho. Toquei a campainha com alguma esperança.

A cantora abre a porta, sem suas vestimentas peculiares. Cara inchada. Abraço. Choro.

Era verdade.

Meus amigos, todos sérios, uns de cara fechada, outros com os olhos marejados, alguns, como eu, sem chão. Surreal. Não era um velório, mas a casa, antes radiante, estava escura. Parecia ter velas grudadas nas paredes. As pessoas pareciam estar vestidas de luto. Era verdade.

Música. Precisava de música. Qualquer uma. Escolhi o blues. Sentei num canto, ouvi e fumei mais.

Nada, não queria nada nem ninguém. A alegria, com um só baque, se esvaiu completamente.

Fomos ver como os outros estavam. Passamos pelas ruas lotadas de máscaras, fantasias, alegria e embriaguez. Nós, trizteza. Mal chegamos e logo sentei sozinho na escadaria. Alguns vieram me abraçar, outros conversar. Não queria nada, nem ninguém. Chorei. Como há tempos não chorava.

De súbito, alguém tirou o fone do meu ouvido. Só vi a imagem na camiseta: mão, exclamação, Avante!

Não aconteceu nada. Tá tudo bem. Ela não morreu.

Parei.

Baque.

Alívio. Nostalgia. Gente triste sorrindo. Gente alegre desacreditada. Gente boba se abraçando.

Tudo era brincadeira. Tudo era mal-gosto. Tudo era mórbida alegria. Tudo era humilhação. Tudo era vergonha.

Pra que? Por que? Pra quem? Como? Quando? Onde? Quem?!?!

Lead fácil de entender.

Criança de 19 anos, com problemas de compreensão das coisas e dos sentimentos do mundo, finge a própria morte, na tentativa de desvendar os mistérios do coração.

Do coração dos outros. Do coração de um, do coração de todos. Do coração dos despreparados.

Afinal, quem não quer se sentir amado por alguém?

Vai entender!

Cada um tem aquela paz que não quer seguir admitindo. Cada um brinca como pode e mobiliza como quer. Cada um tem as vontades que a cabeça realiza e que o coração não reflete. Cada ser tem sonhos a sua maneira.

O problema é que, pra realizar os sonhos a gente é obrigado a deixar uma parte de nós pra trás. Fantasias custam caro.

E a fantasia de palhaço que fui obrigado a vestir na festa dessa noite custa a sair. Foi pesada de vestir e está pesando pra sair.

Mas vai passar.

O resultado disso tudo são só mais algumas noites em claro, como tantas outras desses últimos tempos… Dessas últimas fantasias gastas.

A uma alma infeliz que ainda teimo em amar. Não se foi dessa vez, mas perdeu parte de sua luz. E um pouco do caráter também.
Ao leitor preparado, espero que saiba que tudo que escrevi nessas linhas tortas faz parte de uma grande brincadeira. Um ato lúdico de fazer os outros se esguelarem, típico de palhaços. Mas por mim tá tudo bem, tá tudo ótimo, pois fiquei sabendo que esse tipo de brincadeira é a nova moda da pós-modernidade. Lá no País dos Retardados, na pequena Vila dos Sentimentais, Rua do Desencanto, nº 171.
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A bad case of the blues…

Novembro 4, 2008

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Já vou dizendo logo de cara: o azul me incomoda!

Sério! Que porre de cor! Faz tempo que me incomoda. É estranho, mas não páro de pensar nisso sempre que vejo, ouço ou sinto algo significativamente azul.

Pois ao mesmo tempo que parece ser bom, é ruim. Ao mesmo tempo que eleva os céus e contrasta com a beleza das nuvens ou que leva as oferendas pra imensidão do mar, traz também elementos sombrios, que não sei explicar direito. Dá-me a noção de falsa liberdade, de aprisionamento. Tipo uma máscara mesmo. Não sei…

Mas o fato é que essa cor, mesmo que de forma um tanto quanto dúbia, referencia artistas de toda sorte: música, cinema, pintura…

Vejam só: Uma das letras mais belas e depressivas de Beatles é de Because, percebe-se quando cantam Because the sky is blue it makes me cry. Os Stones deram nome a um de seus melhores e mais caóticos álbuns de Black and Blue. Madeleine Peyroux canta os perigos e aventuras da noite em Blue Alert. Na canção Hedwig’s Lament, o personagem de John Cameron Mitchell se liberta ao mesmo tempo que lamenta o fato de sua vida ser black and blue. Kieslowky, na trilogia das cores, diz que a liberdade é azul, mas, diferente do senso comum de alegria que a idéia de liberdade traz,  dos três filmes, esse é visivelmente o mais triste.

Sem falar que a cor dá um “codinome plural” a um dos ritmos mais densos e agradáveis já inventados: o blues.

Se não bastasse, os artistas dessa “modalidade” musical falam, na maioria das vezes, das desilusões da vida, dos amores que não deram certo, da espera infinda, do querer sem poder, e por aí vai… Tudo isso, é claro, sem deixar pra trás toda a beleza que permeia o sentimento.

Coisas da vida pós-moderna…

Por fim, reafirmo: corzinha mais sacana não há. Faz tipo de me-engana-que-eu-gosto: boazinha e estereotipada por fora, feia e obscura por dentro. Sei que são sensações estranhas e meio difíceis de entender, mas fazer o quê?

Como dizia Dinah Washington, You don’t know what love is, until you learn the meaning of the blues.

Vai entender…

P.S.: A imagem acima é do surrealista Joan Miró e se chama Bleu II. O título do texto é também título de um dos melhores e mais representativos blues de Dinah Washington, que por acaso, e só por acaso, fala de um amor irriquieto, que a deixa confusa e com dor de cabeça.
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Livro de Cabeceira

Novembro 1, 2008

Φ Capítulo 1 Φ

- 2ª Página – Soneto de Desencanto -

A xícara de chá deu lugar à xícara de nescafé.
Os cinzeiro, em cima do meu colo.
Os livros caídos da estante. Os chapéus, emprestados. O móbile balança com o vento.
O telefone tocou, ninguém importante… Os três isqueiros continuam sem funcionar.
Os filmes já não são mais os mesmos de antes.
As fotos pregadas com durex caem do guarda-roupa.
A velha colcha de retalhos verdes foi colocada pra cima do estrado e a janela foi aberta.
As pequenas lembranças de quatro anos atrás continuam pregadas nos quadros de aviso, imóveis.

Os amigos já não são mais os mesmos de antes…
A maioria segue outros rumos, deixando outros entrarem pela viela estreita.
Mas as pequenas problemáticas do dia-a-dia continuam,
Passando pela viela dos encontros e despedidas. Encantos. Desencantos.

- Listas -

Cinco Tristezas:

- Insônia, insônia, insônia…
- O romance de Otto e Ana (Almas gêmeas e palíndromos).
- Mensagens não respondidas e não correspondidas.
- Ouvir Vinícius.
- Falta de perspectivas…

Cinco Músicas:

- Samba em Prelúdio – Vinícius de Moraes
- Wicked Little Town – Hedwig and The Angry Inch
- Sapato Novo – Los Hermanos
- O Mundo é um Moinho – Cartola
- There’s No Greater Love – Amy Winehouse

Cinco Filmes:

- Os Amantes do Círculo Polar – Júlio Meden (torrent / wikipedia)
- A Igualdade é Branca – Krzysztof Kieslowski (torrent / wikipedia)
- Vanilla Sky – Cameron Crowe (torrent / wikipedia)
- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain – Jean-Pierre Jeunet (torrent / wikipedia)
- O Poeta do Castelo – Joaquim Pedro de Andrade (porta curtas / crítica)